19 April 2017 @ 10:33 am
Os Filhos de Anansi, de Neil Gaiman  
Li algumas obras de Gaimam, tanto em prosa quanto em HQ e ao ler os Filhos de Anansi, fiquei com a sensação de que este livro fora escrito por um escritor novato. Até então, nenhuma obra de Gaiman me suscitou tanto desgosto. A Verdade é Caverna nas Montanhas Negras tem um problema de verossimilhança no ponto crucial da história, o nó da trama, mas apesar disso, é uma ótima história e tem seu charme na forma mista de livro ilustrado e história em quadrinhos. Os Filhos de Anansi não tem um problema estrutural propriamente. Mas há uma série de metáforas que se anulam (por exemplo: “Fulano estava tal como Sicrando quando não estava fazendo tal coisa.”); personagens que são caricatos; o limão que não tem função alguma dentro da narrativa; o relacionamento entre o protagonista e sua noiva ser oportunamente mediocre, então quando o seu irmão aparece e fode tudo, não é um grande problema, já que eles nem se amavam mesmo...

A história gira em torno de Charles, que tem uma vida mediana e descobre que seu pai, com quem não tem uma boa relação devido a diversas humilhações sofridas na infância, morreu. Ele viaja para sua cidade natal e descobre por uma das vizinhas que tem um irmão e se ele quiser, pode chamá-lo. Sem acreditar muito no método descrito pela velha, Fat Charles (como é chamado) não só recebe a visita de seu irmão, como não consegue mais se livrar dele. Spider é o tipo de personagem que me irrita do início ao fim. Sendo um semi-deus, sua vida é fácil e muito boa, faz o que quer, manipula as pessoas e não tem problemas de consciência nenhuma, sendo o extremo oposto de Charles.

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29 March 2017 @ 01:52 pm
O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë  
Eu iniciei a leitura deste livro em 2012 ou 2013 e parei no capítulo XII devido às circunstâncias externas das quais eu não me lembro. Reli recentemente e integralmente.
Essa edição que tenho é a que a Leya (pelo selo Lua de Papel) lançou em 2009 devido à relação que os personagens de Crepúsculo têm com a obra. Dito isso, a capa, a orelha e a sinopse trabalham em função dessa relação, com o subtítulo O amor nunca morre! e o catálogo sistemático categorizando a obra como literatura juvenil. Eu comecei a ler O Morro do Ventos Uivantes por indicação e esta era a edição que veio parar aqui em casa... mas eu sabia antecipadamente sobre o plot e que a obra faz parte do cânone literário, e por isso, não pode ser apenas “uma surpreendente história de amor”, como esta edição faz crer. Não estou querendo dizer que uma história de amor não possa constar num cânone literário. Romeu e Julieta é canônico. Mas a história de Cathy e Hearthcliff tem mais implicações complexas que uma história de amor simplesmente.
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18 June 2016 @ 06:31 pm
Tão insano quanto você - Uma vida em listas, de Tood Hasak-Lown  
O chamariz desse livro é, como o subtítulo entrega, que ele se propõe a contar um história atravéz de listas, o que é interessante. E apesar de eu estar um pouco entediada com histórias sobre adolescentes homem-branco-cis-hétero-americano-de-classe-média, a pessoa que me emprestou o livro me contou a tal revelação que o pai faz ao filho; e pensar que o livro trata de como esse adolescente lida com esse novo fato é um tema bacana.
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17 March 2016 @ 09:43 am
Hell - Paris-71016, de Lolita Pille  
Hell foi um hit literário na internet lá pelo final dos anos 2000 e acabei reparando em outros livros mais ou menos parecidos de outras jovens autoras na pequena Nobel de São Roque. Na verdade, eu tomei conhecimento disso porque eu comprei Cobras & Piercing e alguém me indicou Hell, mas lembro me de um outro livro, de uma chinesa, que ficcionalizou sua juventude consumista, hipersexualizada e drogada. No fim, Cobras & Piercing destoa um pouco do tema, e a história aparentemente não tem relação com a autora.

Lolita Pille de fato viveu nos ambientes descritos no livro, morou numa casa luxuosa no bairro nobre de Paris, estudou nas melhores escolas e teve amigos que a excluíram de seu círculo depois que o livro foi publicado. E ele foi bestseller na França. Como eu só li agora, pouco mais de vinte anos depois que ele foi lançado, não posso entender o impacto que ele causou porque eu já consumi muito, mesmo que sem saber, dessa premissa. Mas olhando para o texto hoje, vejo que ele poderia ser excelente; uma pena não ser.

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20 January 2016 @ 05:49 pm
A Dúvida ( e o Fantástico ) em Biofobia  
Eu considero difícil a terefa de resenhar um livro de que gosto muito. Li numa cassetada só e parei apenas para absorver o capítulo clímax que é de uma narratividade forte e poética. Não é apenas as imagens e a ação que te prendem ao livro, é o modo como Nazarian te envolve em seu humor ácido e os pensamentos desse roqueiro fracassado, que também é um fracasso de pessoa, mas que você não deixa de gostar dele em todo seu egoísmo e atitudes de adolescente.

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