evig: (08 - chifres)
[personal profile] evig2017-07-27 05:18 pm

Sexo e estrutura narrativa de romances juvenis em Garotos Malditos, de Santiago Nazarian

Acabei de terminar Garotos Malditos então essas impressões que vou escrever serão mais superficiais.

Por se tratar de um livro juvenil, tem uma leveza, e principalmente, agilidade na escrita. É narrado em primeira pessoa, distribuídos em 250 páginas com uma diagramação bem espaçada e com ilustrações no início de cada capítulo. O único ponto, em se tratando da escrita, que me incomoda um pouco nesta obra é o uso do pretérito-mais-que-perfeito, corretíssimo, correto demais para um garoto de 16 anos. Mas como isso aconteceu duas ou três vezes e estava na mesma frase que tinham gírias ou até mesmo palavrões, ainda pode-se passar por uma linguagem natural de garoto que teve uma boa educação (num colégio religioso, inclusive).

Não vou me ater ao plot. Mas duas coisas me chamaram atenção e eu fiquei muito feliz de encontrá-las num livro para jovens: sexualidade e elementos de estrutura narrativa típicas de romances de fantasia/mistério sendo discutidas muito sutilmente, numa camada mais submersa da história contada por Ludo (que é onde eu enxergo o autor).
Read more... )
evig: (15 - leitura)
[personal profile] evig2017-04-19 10:33 am

Os Filhos de Anansi, de Neil Gaiman

Li algumas obras de Gaimam, tanto em prosa quanto em HQ e ao ler os Filhos de Anansi, fiquei com a sensação de que este livro fora escrito por um escritor novato. Até então, nenhuma obra de Gaiman me suscitou tanto desgosto. A Verdade é Caverna nas Montanhas Negras tem um problema de verossimilhança no ponto crucial da história, o nó da trama, mas apesar disso, é uma ótima história e tem seu charme na forma mista de livro ilustrado e história em quadrinhos. Os Filhos de Anansi não tem um problema estrutural propriamente. Mas há uma série de metáforas que se anulam (por exemplo: “Fulano estava tal como Sicrando quando não estava fazendo tal coisa.”); personagens que são caricatos; o limão que não tem função alguma dentro da narrativa; o relacionamento entre o protagonista e sua noiva ser oportunamente mediocre, então quando o seu irmão aparece e fode tudo, não é um grande problema, já que eles nem se amavam mesmo...

A história gira em torno de Charles, que tem uma vida mediana e descobre que seu pai, com quem não tem uma boa relação devido a diversas humilhações sofridas na infância, morreu. Ele viaja para sua cidade natal e descobre por uma das vizinhas que tem um irmão e se ele quiser, pode chamá-lo. Sem acreditar muito no método descrito pela velha, Fat Charles (como é chamado) não só recebe a visita de seu irmão, como não consegue mais se livrar dele. Spider é o tipo de personagem que me irrita do início ao fim. Sendo um semi-deus, sua vida é fácil e muito boa, faz o que quer, manipula as pessoas e não tem problemas de consciência nenhuma, sendo o extremo oposto de Charles.

Read more... )
evig: (03 - nuvens)
[personal profile] evig2017-03-29 01:52 pm

O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë

Eu iniciei a leitura deste livro em 2012 ou 2013 e parei no capítulo XII devido às circunstâncias externas das quais eu não me lembro. Reli recentemente e integralmente.
Essa edição que tenho é a que a Leya (pelo selo Lua de Papel) lançou em 2009 devido à relação que os personagens de Crepúsculo têm com a obra. Dito isso, a capa, a orelha e a sinopse trabalham em função dessa relação, com o subtítulo O amor nunca morre! e o catálogo sistemático categorizando a obra como literatura juvenil. Eu comecei a ler O Morro do Ventos Uivantes por indicação e esta era a edição que veio parar aqui em casa... mas eu sabia antecipadamente sobre o plot e que a obra faz parte do cânone literário, e por isso, não pode ser apenas “uma surpreendente história de amor”, como esta edição faz crer. Não estou querendo dizer que uma história de amor não possa constar num cânone literário. Romeu e Julieta é canônico. Mas a história de Cathy e Hearthcliff tem mais implicações complexas que uma história de amor simplesmente.
Read more... )
evig: (15 - leitura)
[personal profile] evig2016-06-18 06:31 pm

Tão insano quanto você - Uma vida em listas, de Tood Hasak-Lown

O chamariz desse livro é, como o subtítulo entrega, que ele se propõe a contar um história atravéz de listas, o que é interessante. E apesar de eu estar um pouco entediada com histórias sobre adolescentes homem-branco-cis-hétero-americano-de-classe-média, a pessoa que me emprestou o livro me contou a tal revelação que o pai faz ao filho; e pensar que o livro trata de como esse adolescente lida com esse novo fato é um tema bacana.
Read more... )
evig: (10 - gato)
[personal profile] evig2016-06-14 06:37 pm

Comentário sobre As Fábulas Negras e a contação de lendas

As Fábulas Negras é um filme que costura curtas dirigido por diretores brasileiros que se dedicam ao gênero terror. São histórias/lendas populares que ganharam uma roupagem do terror trash, enfatizando o bizarro, a violência gráfica mais teatral e muito, muuuuito sangue. O fio que costura essas fábulas é um grupo de meninos que saem para brincar na mata e vão contando essas fábulas, e no final, eles acabam protagonizando um última fábula.
Read more... )
evig: (09 - xícara)
[personal profile] evig2016-03-17 09:43 am

Hell - Paris-71016, de Lolita Pille

Hell foi um hit literário na internet lá pelo final dos anos 2000 e acabei reparando em outros livros mais ou menos parecidos de outras jovens autoras na pequena Nobel de São Roque. Na verdade, eu tomei conhecimento disso porque eu comprei Cobras & Piercing e alguém me indicou Hell, mas lembro me de um outro livro, de uma chinesa, que ficcionalizou sua juventude consumista, hipersexualizada e drogada. No fim, Cobras & Piercing destoa um pouco do tema, e a história aparentemente não tem relação com a autora.

Lolita Pille de fato viveu nos ambientes descritos no livro, morou numa casa luxuosa no bairro nobre de Paris, estudou nas melhores escolas e teve amigos que a excluíram de seu círculo depois que o livro foi publicado. E ele foi bestseller na França. Como eu só li agora, pouco mais de vinte anos depois que ele foi lançado, não posso entender o impacto que ele causou porque eu já consumi muito, mesmo que sem saber, dessa premissa. Mas olhando para o texto hoje, vejo que ele poderia ser excelente; uma pena não ser.

Por quê excelente? Read more... )
evig: (13 - moça)
[personal profile] evig2016-03-03 04:37 pm

Beira-mar, de Márcio Reolon e Filipe Matzembacher

Não sei se sou uma conhecedora média do cinema brasileiro. Acho que estou abaixo disso e um pouco acima do conhecimento do grande público. Tenho problemas para me lembrar dos nomes e dos rostos da grande maioria dos atores brasileiros. Eu não sou familiarizada com novelas e não gosto de filmes de comédias (no geral), visto que grande parte da produção brasileira que vai para os cinemas são desse gênero. Não vi Tropa de Elite. Nem Carandiru. Nem O Alto da Compadecida. Mas vi Cidade de Deus. E Central do Brasil quando eu era muito pequena pra poder me lembrar se eu gostei ou não [nota mental: preciso rever esse filme]. Só me lembro desses blockbusters.

Mas a produção brasileira de cinema fino está no âmbito independente, nas bordas, na boa ideias e na pouca grana. Mas esses filmes a gente não toma conhecimento. Você tem que procurar. Alguns vão dizer que o brilho ficou pra trás, no Cinema Novo. Mas quem vê Vidas Secas? Quem viu Vidas Secas? Meus pais e tios e pais de meus conhecidos certamente não. Eles viam filmes americanos, blockbusters, coisas que hoje passa na seção da tarde.

O primeiro filme brasileiro de que gostei de verdade foi Os Famosos e os Duendes da Morte. É possivelmente o meu filme brasileiro contemporâneo preferido. Como eu tomei conhecimento dele, já não me lembro, mas a minha cópia é pirata, e estava junto com Tropa de Elite e outros filmes brasileiros de grande bilheteria. Emprestei essa cópia antes de ter interesse de ver os outros filmes e nunca mais a vi. Se você encontra um filme desses no camelô, julgo que ele tem certa popularidade, mesmo que esteja num pack só para cobrir espaço. Os Famosos é um filme gaúcho, adaptado de um livro nada famoso, mas que ganhou prêmios em festivais na Europa. Tem a cara de um Brasil que não é o verão-carnaval-alegria, nem da violência gerada pelos nossos problemas sociais (que é cinema bom, mas não precisa ser o único gênero e estava muito em alta na época). É um filme silencioso, gelado, triste, poético. As pessoas aqui também tem vontade de morrer.

Acho que nasceu a partir desse filme uma olhadela mais carinhosa com a produção nacional, apesar de eu ter consciência disso só agora, porque veio junto com a percepção da literatura brasileira de agora. Há muito o que assistir e ser lido.



Mas isto aqui era pra ser uma resenha sobre Beira-mar.
Read more... )
evig: (9 - folhas)
[personal profile] evig2016-01-20 05:49 pm

A Dúvida ( e o Fantástico ) em Biofobia

Eu considero difícil a terefa de resenhar um livro de que gosto muito. Li numa cassetada só e parei apenas para absorver o capítulo clímax que é de uma narratividade forte e poética. Não é apenas as imagens e a ação que te prendem ao livro, é o modo como Nazarian te envolve em seu humor ácido e os pensamentos desse roqueiro fracassado, que também é um fracasso de pessoa, mas que você não deixa de gostar dele em todo seu egoísmo e atitudes de adolescente.

Read more... )
evig: (7 - livros)
[personal profile] evig2016-01-12 02:02 pm

Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera

Praticamente depois de um ano sem ler algo contemporâneo, Barba Ensopada de Sangue se iniciou cheio de expectativas, mas ao término da leitura, se mostrou um livro equivocado perante o que promete.

Enquanto eu estava entre a primeira e segunda parte, pensei em escrever algo relacionado sua forma, especialmente ao modo narrativo cinematográfico, conhecido como modo câmera1. Mas acho que ficaria muito acadêmico e Barba não é bem um grande exemplo brasileiro de narrativa em modo câmera (infelizmente, não sei dizer qual seria um bom exemplo). Essa minha sensação não desmerece o ótimo trabalho formal do livro. Quem não está acostumado à narrativa em modo câmera pode estranhar no início, mas logo vai conceber as imagens exatamente como uma câmera. Barba seria um ótimo filme indie, com suas lindas paisagens e planos abertos. O problema ficaria com o ator principal. Mas vou falar do protagonista mais  frente.

O romance  dividido em três partes, que não se justificam muito bem. E existe uma espécie de apêndice no final de alguns capítulos que são interessantes porque dá ao leitor um panorama sobre o protagonista, e que acabam resolvendo as lacunas deixadas pelo distanciamento da narrativa. (Há sim alguns momentos de incursão nos pensamentos do protagonista, mas eles ainda parecem distantes) De todo modo, alguns desses apêndices mostram opiniões de moradores sobre o protagonista (não fica claro, mas eu na minha desatenção precisei voltar à eles quando terminei o livro para ter certeza do que se tratava e de quem era o foco narrativo/voz narrativa). No e-book, há um hiperlink, o que ajuda a verificar o assunto ou de quem é a mensagem (há mensagens da mãe, de uma ex-namorada, um sonho da mãe de uma outra namorada, depoimento do chefe que é de anos a frente da narrativa); não sei como resolveram isso no papel impresso, mas tem momentos confusos, como o relato de um mural onde "as meninas penduram coisas que fazem lembrar do motivo por que elas estão trabalhando naquele lugar." e você se pergunta qual a relação daquilo pra história.
Read more... )
evig: (3 - nuvens)
[personal profile] evig2015-09-09 01:34 pm

São Bernardo, o filme e o romance

A ideia inicial era resenhar o livro, mas eu já fui contaminada (positivamente) pelas análises do meu professor de Literatura Brasileira. Como esse semestre eu peguei um matéria de Comparada, pretendo exercitar a análise com filmes.

Vi São Bernardo de Leon Hirszman (1971) ontem à noite e me emocionei, o que não ocorreu com o livro. Isso é comum pra mim, me emociono fácil com filmes, mas os livros me arrancam sorrisos e não lágrimas, independente do clima dele. (Posso ter me emocionado com alguns livros também, mas já não me lembro...) Um fator que pode ter influenciado as lágrimas pode ter sido o conhecimento prévio do desfecho das personagens e o uso dos diálogos do livro. Uma escolha que eu considerei muito feliz.

Read more... )
evig: (5 - música)
[personal profile] evig2015-03-07 08:14 pm

Análise da música Homem da banda Lupe de Lupe

Eu queria me dar de presente essa análise.

Lupe de Lupe é dessas bandas denominadas "a salvação do rock brasileiro", o que eu acho uma besteira porque o rock não precisa ser salvo, o rock precisa é de baixezas e muquifos abarrotados de jovens (ou não) que estejam fugindo da plasticidade cultural. O Lupe de Lupe nutre o rock porque eles vão exatamente contra a plasticidade de qualquer coisa. Assim a banda se define na carta-realise que vem junto com o álbum mais recente, Quarup:

"Lupe de Lupe, 4 moleques do interior de Minas Gerais, 4 compositores unidos apenas pela coragem e pelo risco. Nunca fomos bons compositores, nem bons cantores, nem bons instrumentistas. Nem nunca conseguimos acompanhar as inovações tecnológicas de equipamentos e som, ou mesmo as novas tendências musicais brasileiras. Nossa forma idiossincrática, arrogante, tosca, contraditória, pretensiosa, atrevida e antropofágica de ser e fazer nossas músicas acabou virando nosso estilo."


Quarup é certamente um dos grandes álbuns indie brasileiros, mas a música que eu quero analisar está no EP Distância, não menos interessante que o seu sucessor.

Read more... )