17 March 2016 @ 09:43 am
Hell - Paris-71016, de Lolita Pille  
Hell foi um hit literário na internet lá pelo final dos anos 2000 e acabei reparando em outros livros mais ou menos parecidos de outras jovens autoras na pequena Nobel de São Roque. Na verdade, eu tomei conhecimento disso porque eu comprei Cobras & Piercing e alguém me indicou Hell, mas lembro me de um outro livro, de uma chinesa, que ficcionalizou sua juventude consumista, hipersexualizada e drogada. No fim, Cobras & Piercing destoa um pouco do tema, e a história aparentemente não tem relação com a autora.

Lolita Pille de fato viveu nos ambientes descritos no livro, morou numa casa luxuosa no bairro nobre de Paris, estudou nas melhores escolas e teve amigos que a excluíram de seu círculo depois que o livro foi publicado. E ele foi bestseller na França. Como eu só li agora, pouco mais de vinte anos depois que ele foi lançado, não posso entender o impacto que ele causou porque eu já consumi muito, mesmo que sem saber, dessa premissa. Mas olhando para o texto hoje, vejo que ele poderia ser excelente; uma pena não ser.

Por quê excelente? Read more... )
 
 
03 March 2016 @ 04:37 pm
Beira-mar, de Márcio Reolon e Filipe Matzembacher  
Não sei se sou uma conhecedora média do cinema brasileiro. Acho que estou abaixo disso e um pouco acima do conhecimento do grande público. Tenho problemas para me lembrar dos nomes e dos rostos da grande maioria dos atores brasileiros. Eu não sou familiarizada com novelas e não gosto de filmes de comédias (no geral), visto que grande parte da produção brasileira que vai para os cinemas são desse gênero. Não vi Tropa de Elite. Nem Carandiru. Nem O Alto da Compadecida. Mas vi Cidade de Deus. E Central do Brasil quando eu era muito pequena pra poder me lembrar se eu gostei ou não [nota mental: preciso rever esse filme]. Só me lembro desses blockbusters.

Mas a produção brasileira de cinema fino está no âmbito independente, nas bordas, na boa ideias e na pouca grana. Mas esses filmes a gente não toma conhecimento. Você tem que procurar. Alguns vão dizer que o brilho ficou pra trás, no Cinema Novo. Mas quem vê Vidas Secas? Quem viu Vidas Secas? Meus pais e tios e pais de meus conhecidos certamente não. Eles viam filmes americanos, blockbusters, coisas que hoje passa na seção da tarde.

O primeiro filme brasileiro de que gostei de verdade foi Os Famosos e os Duendes da Morte. É possivelmente o meu filme brasileiro contemporâneo preferido. Como eu tomei conhecimento dele, já não me lembro, mas a minha cópia é pirata, e estava junto com Tropa de Elite e outros filmes brasileiros de grande bilheteria. Emprestei essa cópia antes de ter interesse de ver os outros filmes e nunca mais a vi. Se você encontra um filme desses no camelô, julgo que ele tem certa popularidade, mesmo que esteja num pack só para cobrir espaço. Os Famosos é um filme gaúcho, adaptado de um livro nada famoso, mas que ganhou prêmios em festivais na Europa. Tem a cara de um Brasil que não é o verão-carnaval-alegria, nem da violência gerada pelos nossos problemas sociais (que é cinema bom, mas não precisa ser o único gênero e estava muito em alta na época). É um filme silencioso, gelado, triste, poético. As pessoas aqui também tem vontade de morrer.

Acho que nasceu a partir desse filme uma olhadela mais carinhosa com a produção nacional, apesar de eu ter consciência disso só agora, porque veio junto com a percepção da literatura brasileira de agora. Há muito o que assistir e ser lido.



Mas isto aqui era pra ser uma resenha sobre Beira-mar.
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20 January 2016 @ 05:49 pm
A Dúvida ( e o Fantástico ) em Biofobia  
Eu considero difícil a terefa de resenhar um livro de que gosto muito. Li numa cassetada só e parei apenas para absorver o capítulo clímax que é de uma narratividade forte e poética. Não é apenas as imagens e a ação que te prendem ao livro, é o modo como Nazarian te envolve em seu humor ácido e os pensamentos desse roqueiro fracassado, que também é um fracasso de pessoa, mas que você não deixa de gostar dele em todo seu egoísmo e atitudes de adolescente.

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12 January 2016 @ 02:02 pm
Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera  
Praticamente depois de um ano sem ler algo contemporâneo, Barba Ensopada de Sangue se iniciou cheio de expectativas, mas ao término da leitura, se mostrou um livro equivocado perante o que promete.

Enquanto eu estava entre a primeira e segunda parte, pensei em escrever algo relacionado sua forma, especialmente ao modo narrativo cinematográfico, conhecido como modo câmera1. Mas acho que ficaria muito acadêmico e Barba não é bem um grande exemplo brasileiro de narrativa em modo câmera (infelizmente, não sei dizer qual seria um bom exemplo). Essa minha sensação não desmerece o ótimo trabalho formal do livro. Quem não está acostumado à narrativa em modo câmera pode estranhar no início, mas logo vai conceber as imagens exatamente como uma câmera. Barba seria um ótimo filme indie, com suas lindas paisagens e planos abertos. O problema ficaria com o ator principal. Mas vou falar do protagonista mais  frente.

O romance  dividido em três partes, que não se justificam muito bem. E existe uma espécie de apêndice no final de alguns capítulos que são interessantes porque dá ao leitor um panorama sobre o protagonista, e que acabam resolvendo as lacunas deixadas pelo distanciamento da narrativa. (Há sim alguns momentos de incursão nos pensamentos do protagonista, mas eles ainda parecem distantes) De todo modo, alguns desses apêndices mostram opiniões de moradores sobre o protagonista (não fica claro, mas eu na minha desatenção precisei voltar à eles quando terminei o livro para ter certeza do que se tratava e de quem era o foco narrativo/voz narrativa). No e-book, há um hiperlink, o que ajuda a verificar o assunto ou de quem é a mensagem (há mensagens da mãe, de uma ex-namorada, um sonho da mãe de uma outra namorada, depoimento do chefe que é de anos a frente da narrativa); não sei como resolveram isso no papel impresso, mas tem momentos confusos, como o relato de um mural onde "as meninas penduram coisas que fazem lembrar do motivo por que elas estão trabalhando naquele lugar." e você se pergunta qual a relação daquilo pra história.
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09 September 2015 @ 01:34 pm
São Bernardo, o filme e o romance  
A ideia inicial era resenhar o livro, mas eu já fui contaminada (positivamente) pelas análises do meu professor de Literatura Brasileira. Como esse semestre eu peguei um matéria de Comparada, pretendo exercitar a análise com filmes.

Vi São Bernardo de Leon Hirszman (1971) ontem à noite e me emocionei, o que não ocorreu com o livro. Isso é comum pra mim, me emociono fácil com filmes, mas os livros me arrancam sorrisos e não lágrimas, independente do clima dele. (Posso ter me emocionado com alguns livros também, mas já não me lembro...) Um fator que pode ter influenciado as lágrimas pode ter sido o conhecimento prévio do desfecho das personagens e o uso dos diálogos do livro. Uma escolha que eu considerei muito feliz.

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